Contos não tão de fadas

Conto de Halloween – Branca de Neve não pode morrer!

29 de outubro de 2016

Conto de Halloween – Branca de Neve não pode morrer!

Era uma vez a muitos anos atras, numa terra distante, onde reis e rainhas ainda existiam. Um rei viúvo com uma filha recém nascida.

Depois do funeral da jovem rainha, o rei pediu que viesse uma ama de leite para a menina, mas nenhuma ficava por mais de 3 dias e depois de alguns dias elas morriam, nas mãos de seus familiares que alegavam estar possuídas pelo demônios. As amas, enlouqueciam, devoravam a própria carne e de seus filhos, ensandecidas, atacavam os maridos e não temiam o padre.

Instruído por uma garota da cozinha enquanto fornicava com ela no salão de armas, o rei aceitou como ultima tentativa, chamar aquela que os aldeões viravam a cara; Labela. Sua beleza era tanta que não tinha quem não acreditasse que ela tinha pacto com o demônio, conhecedora das plantas, ervas e das pedras Labela foi trazida ao castelo para ver a criança que chamavam de princesa Branca de Neve.

Labela pegou a criança no colo e balançou ela por um tempo, para que se acostumasse com seu cheiro, estendeu o dedo indicador junto ao rosto da menina para testar seus olhos e seu reconhecimento, mas ela o mordeu com sede, a feriu. As pupilas de seus olhos eram dilatadas demais, negras e sua pele branca e pálida, manchada com o sangue seus lábios buscavam por mais…mais sangue!

Labela entendia que algo naquela menina não estava certo, porem também conhecia o rei e o povo, e seus medos e preconceitos. Ninguém deixaria o mensageiro vivo com a noticia que a princesa era um caso perdido e Labela não seria o mensageiro. Temia terminar como a mãe, queimada nua em praça publica aos berros de acusações: Bruxa! Bruxa!

Labela alegou que precisava de instrumentos e um local reservado para preparar uma refeição especial para a Princesa. O rei desconfiado deu-lhe tudo o que pediu, mas manteve dois guardas na porta casa Labela tentasse fugir. Ela pediu galinhas e coelhos, disse que faria uma canja para a menina e um cozido para si, mas ela extraiu o sangue e deu a criança que se alimentou com gosto até dormecer.

Labela sabia que não iria conseguir explicar a situação da criança, precisava estudar melhor o caso e temia pela própria vida, pensou em fugir para longe mas sabia que isso não seria possível e que uma hora, em alguns anos tudo iria se voltar atras dela, ainda que fosse sua consciência pesada por ter abandonada as pessoas aquela má sorte. Então fez o que parecia a maior loucura de sua vida, preparou uma poção do amor e deu ao rei. Ele ficou complemente apaixonado por Labela e se casaram 2 luas depois.

Mas a primavera estava indo e junto com ela as flores e Labela teve que prepara poções cada vez mais fracas para conseguir estoca-las sem criar suspeitas, ainda assim temia que ficasse sem.

Pelo castelo não se diziam outra coisa, que Labela era bonita demais e que havia enfeitiçado o rei com seus poderes de demônio enquanto Labela se encarregava de alimentar e cuidar da princesa todos os dias sem ajuda das servas.

Todas as noites o rei a montava com a veracidade de um touro e Labela apenas ficava agradecida por ainda estar viva, pelo rei ainda estar sob o efeito da poção e de Branca de Neve dormir a noite inteira.

Os invernos eram longos e a primavera curta demais, era muito difícil manter as poções em estoque e conseguir alimente Branca de Neve cada vez com mais coelhos. Quase 3 anos se passaram, as pessoas ainda sussurravam pelos cantos que Labela era uma bruxa, mas ninguém dizia nada sobre Branca de Neve, apenas que parecia muito esperta e estava crescendo e ficando bonita e forte.

Então no aniversario da menina, mesmo aos pedidos de Labela para que não fosse, o rei foi vê-la. afinal seu aniversario era também o dia que perdeu seu grande amor. E por um momento o sentimento foi tão forte que a poção do amor falhou e o rei desejou matar Labela com as próprias mãos, apertando seu fino pescoço até vê-la perder o brilho de seus olhos. Mas então Branca de Neve o atacou feito um animal ensandecido, mordendo varias partes do corpo  do rei, vertei o sangue de seu rosto e só se acalmou quando Labela a impediu oferecendo o próprio sangue.

O rei adoeceu depois disso, em dias ele se contorcia e dizia ter sede e fome, mas nada lhe satisfazia. Tudo o que ele dizia era associado aos delírios de um terminal: “A menina é o demônio, mate-a, mate-a, Branca de Neve tem que morrer!”

Labela chamou um padre para orar pelo rei e naquela noite ela deu fim a ele o sufocando com um travesseiro. Se consolou que este era um fim bem melhor do que o aguardava em alguns dias…

Labela se tornou a rainha e isolou Branca de Neve em uma ala do castelo. Todos diziam que isso era a inveja da beleza que aflorava na menina, mas Labela sabia que poderia deixar Branca de Neve com outras pessoas, até descobrir o que fazer. Era ainda ela que alimentava a garota, a vestia, limpava. Labela dizia que Branca de Neve era frágil, que tinha uma saúde debilitada e precisava ser protegida, os criados fingiam acreditar, mas em sussurro diziam outras coisas.

Como rainha, Labela podia encomendar livros, que vinham de outros continentes e passava horas os estudando. Trazia pessoas estranhas, as quais eram escoltadas desde os portos até o castelo e vice e versa, ninguém podia falar com eles em momento algum, nem mesmo no jantas, o motivo de suas visitas eram um grande segredo. O que deixava os criados acreditando que a rainha estava estudando as artes ocultas, quando na verdade ela estava aprendendo mais sobre a situação da princesa.

Muitos anos se passou e o reino passava por uma infeliz crise, uma praga atacou as colheitas e isso prejudicou os animais e os aldeões. Um reino vizinho, não tão grande, nem tão poderoso fez um proposta; casar o jovem príncipe deles com Branca de Neve e garantir colheita e comida à todos no inverno. Os conselheiros do reino afirmaram que isso era a melhor solução afinal Branca de Neve já tinha idade para casar, mas Labela dizia que isso era impossível, estava fora de questão e as más línguas murmuravam que isso era medo de Branca de Neve usurpar o trono de Labela.

A fome estava batendo a porta do reino e todos culpavam Labela. Então o príncipe do reino vizinho veio fazer uma ultima proposta.

        “Se não concordar com o casamento, iremos atacar com toda nossas forças e só lhe restara um reino destruído.”

Labela novamente estava pressionada pelos dois lados, mas então, ajudada por opositores do poder, Branca de Neve foge. Temendo tudo o que pudesse acontecer com Branca de Neve sozinha por ai, Labele manda caçadores acha-la, mas eles sempre voltam de mãos vazias ou com corações de bichos alegando ser da princesa devorada por lobos.

Sabendo que não podia confiar em ninguém, todos a culpam, ela pode ver, sentir, está na ponta da língua dos criados, eles não dizem, mas pensam: Bruxa! Bruxa!

Ela precisa resolver o problema no reino, mas precisa encontrar Branca de Neve primeiro. Dias se passam e nenhum sinal dela, mas uma noticia sobre uma fera que está devorando crianças na floresta chega até a rainha. Alguns acreditam ser boatos, lobos, outros que sãos demônios, mas Labela sabe que a fera tem a beleza de uma jovem princesa.

Sem saber mais o que fazer, em quem confiar, ela decide contar tudo ao príncipe, ainda assim ele parece duvidar.

      “Ela é amaldiçoada, bebe sangue e deseja carne humana…”

      “Se o que diz for verdade…”

      ” E é! Vai encontra-la escondida devorando as crianças da aldeia que beira a floresta.”

      ” Então eu irei mata-la!”

   “Branca de Neve não pode morrer! Se a matar, estará completando o ciclo, ela ressuscitara na forma de uma criatura semi-morta vagando pela terra desejando carne humana. E o pior ela vai transformar a outros como ela essa criatura veio ao mundo para criar um exercito de mortos-vivos.”

O príncipe não parecia acreditar em Labela, ela lhe mostrou pergaminhos antigos e livros tão velhos que pareciam prestes a se desfazer em suas mãos.

     “Você precisa acreditar em mim, ninguém mais acreditará e eu seria queimada como bruxa!”

O príncipe vai em busca da Branca de Neve apenas com uma maça, instruído pela rainha que ela precisa mode-la: “Dê a ela para que adormeça, não a mate!”

O príncipe decidiu ir sozinho, sem sua cavalaria, adentrou a floresta nós lugares onde as crianças desapareceram. Encontrou  Branca de Neve dentro de uma enorme arvore oca, de tão grande parecia uma casa pequena e sete corpos de crianças.

        “Quem é você?” perguntou ela quando o viu na entrada da arvore.

        “Eu sou um Príncipe… Encantado! Príncipe Encantado e você?”

        “Branca de Neve!” o príncipe sorriu gentilmente e olhou se fazendo de curioso para os corpos no chão.

        “Esse é o Metre, ele sempre andava na frente de seus irmão na floresta. Soneca, encontrei esse dormindo. Feliz, estava rindo quando o mordi. Atchim, por que era alérgico as flores, não parava de espirrar. Dengoso, esse chorou muito quando o arrastei até aqui. Zangado, tentou me cortar com a faca quase conseguiu. E Dunga, o mais novo, descobri seu nome hoje cedo enquanto alguém o procurava na floresta.”

O príncipe que era muito esperto o tempo todo alisava a maça, a jogava para o alto e a pegava novamente:

          “O que é isso?”

           “Ah isso? É uma maça vermelha…magica!”

           “Como sangue?!”

           “Isso, por que ele é de sangue, uma mordida e não sentira fome nunca mais!”

         “Nunca?” perguntou ela cheia de desejo e o príncipe assentiu. Ele jogou a maça para ela , que mordeu com dentes afiados. Ele desejou que Labela estivesse certa sobre a maçã pelo bem de sua vida.

Branca de Neve caiu no chão de sono e ele a carregou até o castelo.

Chegando lá ele contou a todos que a princesa havia fugido do castelo de medo e foi acolhida por sete homenzinhos, sete anões em sua minuscula casa no meio da floresta.

E que ao conhecer Branca de Neve ambos ficaram completamente apaixonados e que um dos homenzinhos dizia ser um respeitado homem da fé os casou ali mesmo selando o amor deles para sempre.

Mas para selar o casamento deles ele lhe entregou a maça que ganhara da rainha Labela, Branca de Neve a mordeu primeiro, mas a maça era envenenada. O príncipe disse que Branca de Neve estava morta por uma maça que deveria ser para ele feita pela rainha bruxa.

Ele colocou Branca de Neve num caixão de vidro para que pudesse ter certeza de vê-la sempre dormindo e disse que foi tomada de inveja que a rainha fizera tudo aquilo. Labela foi queimada na fogueira com todos os aldeões em volta afirmando que sempre souberam que ela era uma bruxa. O príncipe assumiu o reino e o povo não questionou já que ele trouxe comida.

Antes de Labela ser levada, o príncipe ainda disse: “Não se preocupe eu a manterei dormindo para sempre, afinal, Branca de Neve não pode morrer!”

Fim

Priscila Nobre

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